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Arsenal do crime: dos 632 fuzis apreendidos pela PM no Rio em 2024, menos de 6% têm fabricação nacional

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Dados de um relatório revelam que parte do armamento chegou desmontada no país a partir de contrabando de peças avulsas

Um relatório da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar revela que só 34 dos 638 fuzis apreendidos pela PM no Rio de Janeiro, em 2024, ou seja, 5,32%, foram fabricados no Brasil. Já os outros 604 têm origem estrangeira. Os Estados Unidos lideram o ranking do armamento contrabandeado com 295 unidades da plataforma Colt apreendidas. De origem americana, a arma tem licença para ser comercializada em outros países, o que facilita a entrada clandestina no Brasil pelas fronteiras com o Paraguai, Bolívia e Colômbia. O documento diz ainda que pelo menos 25 unidades apreendidas têm indícios de terem entrado no país desmontadas, a partir de peças avulsas compradas em território americano.

Um dos indícios seria o desenho no equipamento balístico de uma marca semelhante a uma caveira, usada por uma fábrica americana que costuma vender peças de fuzil. Segundo o que diz a PM no relatório, em alguns casos, partes de uma arma de airsoft, como chassis e coronha, por exemplo, são fundidas por armeiros a restos de armamentos inutilizados, dando origem assim a um novo fuzil. Uma arma deste tipo desmontada tem custo aproximado de R$ 6 mil nos Estados Unidos. Já no Rio, chega a ser vendida montada para facções criminosos e milicianos por cerca de R$ 50 mil. Outros fuzis estrangeiros apreendidos no estado foram fabricados em países distintos, incluindo locais como Alemanha, Israel, Áustria e República Tcheca. Somados, os 638 fuzis têm juntos um valor de mercado estimado em torno de R$ 44 milhões. O documento revela ainda quem domina os territórios onde a apreensão ocorreu. Só em áreas do Comando Vermelho (CV) foram apreendidos 365 fuzis.

Áreas da facção Criminosa Terceiro Comando Puro(TCP) tiveram 204 unidades apreendidas. Já a milícia perdeu 48 fuzis. A facção Amigos dos Amigos(ADA) teve 12 armas deste tipo apreendidas, em 2024. Sete apreensões ocorreram em locais sem domínio de facções e duas em áreas em disputa. Para o secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, a apreensão de fuzis reduz o poder bélico das facções e das milícias, mas não resolve completamente o problema.

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— A apreensão de fuzis no estado, sobretudo na região metropolitana, é hoje um dos maiores desafios da Polícia Militar. Impedir que os fuzis cheguem no Rio de Janeiro seria fundamental, já que realizamos operações diárias para recolher essas armas de guerra das mãos de criminosos. Estamos reduzindo o poderio bélico das facções que disputam domínios territoriais de forma extremamente violenta, e, mais importante, preservando a vida de cidadãos e policiais — disse o secretário.

Produzido por uma equipe chefiada pelo subsecretário de Inteligência coronel PM Uirá Nascimento, o relatório foi um dos documentos levados pelo governador Cláudio Castro para um encontro com representantes do Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento, em Nova York, no último dia 12. Na ocasião, Castro sugeriu a cooperação da instituição americana para evitar o tráfico de armas e a consequente chegada dos fuzis ao Rio. Segundo o governador, no total, 732 armas deste tipo foram apreendidas, em2024, por forças de segurança no estado.

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No último dia 15, o Extra revelou que uma rota ligando os Estados Unidos às favelas do Rio abastece a guerra sustentada por facções criminosas com armas de fabricação americana. Segundo a Polícia Militar, 60% dos fuzis apreendidos pela corporação no estado, em 2025, ano vieram dos EUA.

A conexão que abastece o tráfico do Rio já despertou a atenção do governo americano. Na Operação Contenção, que apreendeu, no último 13, um total de 240 armas e mais de 43 mil balas em quatro estados — incluindo uma mansão na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio —, houve a colaboração de integrantes do Homeland Security Investigations (HSI), unidade do Department of Homeland Security (DHS). O HSI investiga crime e ameaças transnacionais aos Estados Unidos.

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