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Banana, aipim e tomate alimentam economia e fazem parte da identidade de Itaguaí, Maricá e Paty

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Produtos são marcas registradas dessas cidades

A banana de Itaguaí é conhecida por suas qualidades excepcionais. Depois de quase se perder, um tipo único de aipim de Maricá está voltando a ser cultivado em propriedades rurais da cidade. E não é que o tomate de Paty do Alferes anda mais famoso? Quem se lê o início desta reportagem imagina se tratar de uma pauta que volta e meia ronda o Extra Cidades: produtos com “Denominação de Origem”. Não necessariamente o título de reconhecimento a proteção que leva esse nome, mas que não deixa de ser se considerarmos métodos tradicionais e dentro de limites geográficos definidos, mantendo sua identidade e singularidade.
Estudos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio) indicam que a Banana de Itaguaí possui índices de Brix e níveis de potássio superiores à média nacional, tornando-a uma das mais doces e nutritivas do país.
Tanto que a cidade celebra essa riqueza com a Festa da Banana todo ano em fevereiro, um evento que reúne cultura, gastronomia e diversão.
A banana é um forte ativo da economia do município. Além disso, a banana itaguaiense é produzida há mais de um século no território, riquíssima em potássio.
— A banana de Itaguaí é notoriamente conhecida como a mais doce do Brasil— garante Valtinho Almeida, secretário municipal de Agricultura e Pesca.

Manoel Ribeiro é uma variedade do aipim que foi cultivada em toda região de Maricá desde a década de 1950, mas foi sendo perdida com o passar do tempo.
Poucos produtores ainda tinham o tipo do alimento no ano 2023, e somente para subsistência. Ao tomarem conhecimento do tipo de aipim com grande valor culinário por sua textura e sabor, engenheiros agrônomos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro resolveram resgatar o cultivo. A planta foi incluída na lista de alimentos cuidados pelo projeto Inova Agroecologia, uma parceria da universidade com a Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar) e a Prefeitura de Maricá.
O projeto multiplicou as ramas dessa variedade de aipim e distribuiu para os agricultores de Maricá, como forma de garantir a preservação do tubérculo.
— A planta do aipim possui caules grossos e são muito produtivas, alcançando cerca de 40Kg por planta. É um aipim de cozimento fácil e com a vantagem que mesmo após um ano, ainda pode ser colhida para mesa. A parceria do Inova com a Rota Gastronômica estimula os agricultores da cidade a produzirem esses alimentos, já que eles sabem que vão encontrar comercialização em Maricá — diz o coordenador do Inova Agroecologia, João Araújo.
Declarada como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio desde 2021, atraindo milhares de turistas com seus shows, a Festa do Tomate agita Paty do Alferes anualmente nos meses de junho.
Em Paty do Alferes, é possível encontrar tomates frescos e outros produtos agrícolas em mercados locais e produtores rurais. A maioria do cultivo do fruto ali se dá plantio em estufas específicas. A técnica garante o controle sobre fatores ambientais como temperatura e umidade, além de reduzir o risco de ataques de pragas e doenças, possibilitando a otimização da produção.
O isolamento da estufa evita a chegada de pragas e permite a redução significativa do uso de defensivos químicos. Além disso, com esse tipo de cultivo, há uma queda no consumo da água, pois o sistema protegido precisa apenas de 2 litros de água, por planta, por dia, para oferecer um produto de qualidade superior. Para se ter uma ideia, no cultivo tradicional são gastos 8 litros.
A junção dessas condições permite que os produtores experimentem um ganho econômico, afinal passam a produzir um alimento de maior qualidade. Somente no ano passado foi computada a positiva produção de 10,2 mil toneladas, a criação de 950 empregos diretos e 458 mil m² de área total de cultivo protegido. De acordo com a Secretaria de Agricultura, a previsão de um retorno econômico para a região é de R$ 71,7 milhões por ano. Desde 2020, o Governo do Rio concedeu R$ 670 mil em créditos, a juros baixos (2% por ano), para produtores locais.
— Comecei produzindo tomate do tipo grape, depois migrei para o de estilo italiano. Esse trabalho de cultivo protegido tem dado mais garantia à nossa produção, estabilidade — conta o produtor Hudson Filho.
O aipim é um dos principais insumos da base alimentar dos brasileiros. Versátil, o tubérculo pode ser consumido frito, cozido ou em receitas como massas ou caldos, além de ser matéria-prima para dezenas de tipos de farinhas.
Existem dois tipos de aipim: a brava, utilizada para a produção de derivados, e a mansa, que a gente cozinha. Esta segunda muda de nome de acordo com a região: no Nordeste, se chama macaxeira, e no Sul e Sudeste, aipim. Nos locais onde se utiliza a brava, tanto ela quanto a mansa recebem o nome de mandioca. É o caso da Amazônia, que produz farinha, e o do Centro-Oeste e partes de Minas Gerais, onde é comum o polvilho, também chamado de goma, amido ou fécula.
Os usos culinários dos derivados da mandioca também diferem de acordo com a região. Há tantas farinhas, com qualidades diferentes. A de Santa Catarina, por exemplo, é fininha e a do Norte é mais grossa. Tem ainda a de Copioba, da Bahia, que é torradinha.
A importância da farinha de mandioca é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que identifica o alimento como bem imaterial no Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Pará.
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