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Cardeal guineense Robert Sarah, líder dos conservadores críticos a Francisco

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Com posições muito conservadoras sobre a homossexualidade e a imigração, o guineense Robert Sarah é uma figura de destaque entre os cardeais tradicionalistas críticos ao papa Francisco. 

Aos 79 anos, Sarah é um dos cardeais de mais idade que participarão do conclave na semana que vem, e quase fica de fora, já que completa 80 anos em 15 de junho, idade que o tornaria inabilitado para escolher o sucessor do papa argentino. 

Formado por missionários franceses, Sarah defende posições conservadoras sobre vários temas. 

“O que no século XX foram o nazismo, o fascismo e o comunismo, hoje o são as ideologias ocidentais sobre a homossexualidade e o aborto, e o fanatismo islâmico”, declarou em uma assembleia em 2015. 

Mais recentemente, em janeiro de 2024, falou em nome de muitos bispos africanos ao qualificar de “heresia” o texto da Santa Sé que busca o caminho para a bênção de casais do mesmo sexo. 

Também foi um dos cinco cardeais conservadores que, em outubro de 2023, pediram publicamente a Francisco que reafirmasse a doutrina católica sobre os casais do mesmo sexo e a ordenação de mulheres. 

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Quanto à imigração, criticou a onda migratória da África subsaariana para a Europa, afirmando que os jovens africanos se sentem atraídos pela ideia de uma vida no “Eldorado” que não existe. 

“Estamos tirando da África jovens, forças vitais que poderiam desenvolvê-la”, disse em 2021. 

“Se a Europa seguir nesta direção, não terá futuro: será invadida por uma população estrangeira”, acrescentou na mesma entrevista à rádio francesa Europe 1, falando de “autodestruição”. 

Segundo os especialistas, suas posições radicais comprometem suas possibilidades para o conclave, onde, para ser eleito, precisa-se de uma maioria de dois terços. 

– O bispo mais jovem –

Sarah nasceu em 1945 em Ourous, quando a Guiné ainda era uma colônia francesa. Foi filho único em uma família de agricultores. 

Estudou no exterior e voltou depois que a Guiné declarou sua independência em 1958. Ordenou-se sacerdote em 1969. 

Uma década depois, durante o pontificado de João Paulo II, se tornou, aos 34 anos, o bispo mais jovem do mundo, ganhando o apelido de “bispo bebê”. 

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As opiniões conservadoras de Sarah estão alinhadas às de muitos na Guiné, um país de maioria muçulmana, e também o tornaram popular entre os católicos tradicionalistas.

Ele é autor de várias obras, principalmente sobre João Paulo II, que o nomeou secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos em 2001, e sobre o papa Bento XVI, que o criou cardeal em 2010.

Admirador de Bento, Sarah defende uma abordagem rigorosa da liturgia.

“Estamos nos esforçando para salpicar a liturgia com elementos africanos e asiáticos, distorcendo assim o mistério pascal que celebramos”, argumentou.

Francisco o nomeou prefeito da congregação para o culto divino e a disciplina dos sacramentos em 2014, mas sua nomeação para esse departamento do Vaticano não foi renovada em 2021.

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