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Temporal em Minas Gerais deixa ao menos 23 mortos em Juiz de Fora e Ubá; vídeo

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As fortes chuvas que castigam a cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, desde a noite de segunda-feira, causaram destruição, com desabamentos de edificações e deslizamentos de terra. No bairro Paineiras, região central da cidade, a queda de um barranco soterrou parte de um prédio e duas casas. Em nota divulgada na manhã desta terça-feira, a prefeitura informou que 16 pessoas morreram em sete deslizamentos, que ocorreram em bairros distintos, além de haver 440 desabrigados. No município vizinho de Ubá, na Zona da Mata mineira, também foram registradas sete mortes em decorrência das chuvas, segundo os Bombeiros.

A prefeitura informou que os deslizamentos que deixaram vítimas fatais ocorreram nos bairros JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa, enquanto a Defesa Civil registrou 251 ocorrências ao decorrer do dia. Segundo a prefeita Margarida Salomão (PT), diversos bairros estão ilhados. Também há ao menos 43 desaparecidos na cidade, de acordo com o Corpo de Bombeiros. A corporação informou que outras quatro pessoas estão desaparecidas em Ubá.

— Quem tentou andar pela cidade hoje sabe que os bairros estão ilhados. O rio Paraibuna saiu da calha, que também é uma coisa histórica. Os córregos estão todos absolutamente transbordando. Então, é uma situação de calamidade — disse Margarida, em um comunicado divulgado nas redes sociais na madrugada desta terça-feira.

O mês de fevereiro já registrou 584 milímetros de chuva, se tornando o mais chuvoso da história da cidade. O recorde anterior era de fevereiro de 1988, quando o acumulado atingiu 456 milímetros. De acordo com a prefeitura, o volume registrado neste mês corresponde a 270% do total esperado para fevereiro, que era de 170,3 milímetros.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram a destruição causada na cidade. O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais afirmou que o transbordamento do rio Paraibuna e os deslizamentos causados pelas chuvas geraram, até esta madrugada, 40 chamadas de emergência. Também há ao menos 45 desaparecidos, conforme informações do portal de notícias g1.

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“As equipes atuam no atendimento a ocorrências de alagamentos, soterramentos, imóveis com risco estrutural e retirada preventiva de moradores em áreas vulneráveis. O reforço operacional inclui militares especializados, cães de busca e equipamentos específicos para atuação em desastres”, informou a corporação, que recebeu o auxílio de 20 bombeiros da capital Belo Horizonte.

Temporal deixa ao menos 14 mortos em Juiz de Fora (MG)

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Vídeo mostra mulher presa em poste em meio à enchente em Juiz de Fora

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Ainda durante esta madrugada, a gestão municipal instituiu estado de Calamidade Pública em Juiz de Fora, que vigorará por 180 dias. Os servidores foram autorizados a trabalhar de forma remota nesta terça-feira, e as aulas nas escolas municipais foram suspensas.

— Isso permite que nós recebamos recursos federais, estaduais, humanos e materiais para nos alcançar nessa grave situação. O estado de Calamidade também permite a participação de voluntários, para que a gente possa superar essa dificuldade muito grande que as pessoas estão vivendo. — disse Margarida. — É uma situação extrema que exige medidas extremas.

O estado de calamidade já foi reconhecido pelo governo federal, conforme informou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista prestou solidariedade às vítimas por meio das redes sociais, e declarou ter determinado “pronta mobilização” das forças nacionais.

“Nas próximas horas – e dias – seguiremos de prontidão para agir com a velocidade e a força que o momento exige. Nosso foco é garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução”, informou Lula. “Quero enviar meus profundos sentimentos às famílias que perderam seus lares e, o que é pior, os seus entes queridos”, completou.

Nas redes sociais, Margarida divulgou o telefonema que recebeu de Lula nesta manhã. O presidente está retornando de uma agenda na Ásia e, no momento da ligação, estava em uma escala nos Emirados Árabes:

— Estou aqui no aeroporto dos Emirados Árabes, querida. Acabei de saber dessa notícia. Deixa eu te falar uma coisa. O (Alexandre) Padilha (ministro da Saúde) já está mandando gente aí, o Waldez (Góes, ministro da Integração). Você pode contar com 100% do nosso apoio — disse Lula.

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A prefeitura informou que há 15 escolas funcionando como ponto de acolhimento para os desabrigados. Também haverá evacuação completa de 25 ruas nos bairros de Três Moinhos, Vila Ideal, Esplanada e Paineiras, com previsão de atingir 600 famílias.

Ao longo desta manhã, a prefeitura também decretou luto oficial de três dias em Juiz de Fora. Margarida afirmou ser o dia “mais triste” de sua gestão, que registrou mortes pela primeira vez em razão das chuvas.

— Em nome do município de Juiz de Fora, quero fazer chegar nessas famílias o nosso abraço. Vamos apoiar em tudo o que a gente puder — disse a prefeita.

Serviços suspensos em Ubá

Em Ubá, que registou sete mortes até o momento, os serviços de saúde no município precisaram ser suspensos devido à inundação. Em nota, a prefeitura informou a suspensão da Farmácia Municipal,do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), da Policlínica Regional e da EAP Central.

“Apenas os atendimentos de hemodiálise serão mantidos, dentro das condições possíveis. As equipes já atuam para restabelecer os serviços o mais breve possível”, diz o comunicado.

O que diz o governo de Minas

O governo de Minas Gerais decretou luto oficial de três dias em todo o estado. Nas redes sociais, o governador Romeu Zema (Novo) prestou solidariedade às vítimas. Ele só viajará para os locais atingidos na noite desta terça-feira ou no início da quarta-feira. Quem já desloca para acompanhar os trabalhos das equipes de resgate é o vice-governador Mateus Simões (PSD).

— A situação é dramática e eu estou indo para Juiz de Fora nesse momento para a gente poder continuar mobilizando. O Corpo de Bombeiros está todo mobilizado, nós estamos deslocando o nosso efetivo do Sul. Não há previsão de interrupção das chuvas até sexta-feira. Eu preciso que a população tenha muito cuidado na região, saiam imediatamente das áreas de encosto ou das áreas de risco, procurem abrigo, podem procurar as nossas escolas, se for necessário — disse Simões.



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