Caso de Polícia
Operação Anomalia III: Polícia Federal prende sete PMs envolvidos com facções e milícias
Agentes, segundo a PF, foram cooptados pelo crime
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira, a terceira fase da Operação Anomalia, que mira agentes públicos envolvidos com o crime organizado. Sete são policiais militares que, segundo as investigações, têm ligações com facções e milícias, foram presos. De acordo com a PF, os agentes foram cooptados por grupos criminosos violentos em atividade no estado. Além dos mandados de prisão preventiva, as equipes cumprem sete de busca e apreensão. Nas duas primeiras fases da Operação Anomalia foram presos um delegado da PF, um ex-secretário do Rio, um delegado da Polícia Civil e dois agentes da corporação.
Os mandados são cumpridos em bairros da capital — Taquara, Freguesia, Campo Grande e Santa Cruz — e em Nova Iguaçu e Nilópolis, municípios da Baixada Fluminense. O Supremo Tribunal Federal (STF) também determinou o imediato afastamento das funções públicas de todos os investigados, bem como o afastamento do sigilo de dados dos equipamentos eletrônicos apreendidos. O cumprimento das ordens judiciais contou com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar.
Segundo a investigação, os policiais militares alvos da operação usavam as prerrogativas da farda e da função pública para atuar em benefício do crime organizado. A investigação evidenciou uma estrutura voltada não apenas à facilitação logística para o tráfico e as milícias, mas também à blindagem de criminosos e à ocultação do dinheiro obtido ilegalmente.
Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de capitais. O material apreendido durante as buscas será submetido à análise, com vistas à identificação de possíveis outros agentes envolvidos no esquema.
A Operação Anomalia é fruto de apurações conduzidas pela Força-Tarefa Missão Redentor II, que consolida as diretrizes do STF em cumprimento ao Acórdão da ADPF 635. A ação estabelece a atuação uniforme da PF na produção de inteligência para neutralizar facções ligadas ao tráfico de drogas e armas, promovendo a asfixia financeira de tais organizações e o corte sumário de suas conexões com agentes do estado.
O que diz a PM
Em nota, a Polícia Militar afirmou que equipes da Corregedoria Geral da corporação participam da operação, em apoio a Polícia Federal. Segundo a força, os agentes presos serão submetidos a processos administrativos disciplinares (PADs), com o objetivo de avaliar a possibilidade de permanência dos acusados em seus quadros. Os agentes serão conduzidos à Unidade Prisional da PM, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, onde permanecerão presos.
“O comando da Corporação reitera que não compactua com quaisquer desvios de conduta ou com o cometimento de crimes praticados por seus integrantes, punindo com rigor os envolvidos sempre que os fatos forem devidamente constatados”, diz a nota.

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