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Instituto de Mendonça recebeu R$ 5,2 milhões de parceiro de negócios de Vorcaro

Relações financeiras, encontros e mensagens apreendidas pela Polícia Federal ampliam questionamentos sobre ministros do STF no caso Banco Master

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O caso Banco Master ganhou um novo capítulo com a revelação de que o Instituto Iter, ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa controlada pelo empresário Lucas Kallas, que manteve relações empresariais com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O negócio foi formalizado em 2024 por meio de um contrato de mútuo conversível, com valor total previsto de aproximadamente R$ 5,9 milhões. O dinheiro, segundo informações divulgadas sobre o contrato, deveria ser utilizado na estruturação e nas atividades do instituto.

A operação chama atenção porque ocorreu quando André Mendonça ainda fazia parte do Instituto Iter e porque o encerramento do contrato aconteceu no início de 2026, pouco antes de o ministro ser sorteado para relatar investigações relacionadas ao Banco Master.

O episódio passou a levantar questionamentos sobre eventual conflito de interesses e sobre a conveniência de Mendonça permanecer na relatoria de investigações que atingem pessoas que tiveram relações financeiras ou empresariais com o instituto ao qual esteve ligado.

Relação com Vorcaro coloca Mendonça no centro da crise

As informações reveladas a partir da análise de mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal mostram que André Mendonça também teve contato pessoal com Daniel Vorcaro.

Mendonça confirmou que recebeu o empresário no Instituto Iter, em março de 2025. O encontro teria ocorrido para tratar de questões relacionadas a precatórios.

A existência desse encontro, somada ao repasse milionário feito por uma empresa ligada a um antigo parceiro empresarial de Vorcaro, passou a ser analisada dentro do contexto mais amplo das relações entre integrantes do STF, familiares de ministros, advogados e pessoas ligadas ao Banco Master.

O caso ganhou ainda mais repercussão depois que Mendonça assumiu a relatoria de procedimentos relacionados ao Banco Master.

Afastamento da relatoria entra no centro do debate

Diante desse cenário, cresce o questionamento sobre se André Mendonça deveria continuar conduzindo investigações relacionadas ao Banco Master e a outros fatos que possam envolver Daniel Vorcaro e pessoas próximas ao empresário.

A discussão não se limita ao valor recebido pelo Instituto Iter. O ponto central é a combinação de relações institucionais, financeiras e pessoais reveladas ao longo das investigações.

A situação se torna ainda mais sensível porque o Banco Master também aparece relacionado às investigações envolvendo operações suspeitas e contratos que atingiram o sistema de crédito consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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O debate público passou, portanto, a questionar se um ministro que manteve relações institucionais com pessoas próximas a um dos principais investigados deveria permanecer responsável por decisões relacionadas ao caso.

Mensagens da investigação ampliam a crise dentro do STF

A crise se agravou após a Polícia Federal obter mensagens do celular de Daniel Vorcaro.

O material contém referências a diferentes ministros do Supremo e a familiares de integrantes da Corte.

Entre os nomes mencionados está Kassio Nunes Marques. Mensagens analisadas pela investigação fazem referência ao advogado Kevin Marques, filho do ministro, associando seu nome a valores de aproximadamente R$ 500 mil mensais.

A informação provocou repercussão porque o nome do filho do ministro aparece em conversas relacionadas ao círculo de Daniel Vorcaro. Kevin Marques afirmou que não recebeu dinheiro diretamente de Vorcaro e declarou que prestou serviços jurídicos para uma empresa de consultoria tributária.

Mesmo assim, a menção a valores milionários e a proximidade entre pessoas ligadas ao Banco Master e familiares de integrantes do STF passaram a integrar o conjunto de informações que está sendo analisado.

Filho de Luiz Fux também aparece em mensagens

Outro nome que aparece no material extraído do celular de Vorcaro é o de Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux.

As mensagens reveladas durante a investigação indicam contatos entre Rodrigo Fux e Daniel Vorcaro, além de conversas relacionadas ao acesso ao gabinete do ministro.

O conteúdo ampliou os questionamentos sobre a proximidade entre empresários investigados e familiares de integrantes da Suprema Corte.

Conversas sobre suposto pagamento de R$ 10 mil também entram no caso

Outro episódio que ganhou repercussão envolve mensagens nas quais aparece uma referência a um suposto pagamento de R$ 10 mil relacionado a um encontro de uma mulher com um homem identificado nas conversas como “Kassio”.

A interpretação de que a referência seria ao ministro Kassio Nunes Marques passou a circular em meio à análise das mensagens de Vorcaro.

O conteúdo, porém, precisa ser tratado como informação constante de conversas sob investigação, e não como comprovação definitiva de que o encontro ocorreu ou de que o homem mencionado era efetivamente o ministro.

Ainda assim, a existência das mensagens acrescentou mais um elemento à crise envolvendo as relações entre pessoas do círculo do Banco Master e integrantes ou familiares de integrantes do STF.

Banco Master, INSS e suspeitas que agora chegam ao Supremo

As investigações envolvendo o Banco Master ganharam dimensão nacional depois que operações financeiras da instituição passaram a ser examinadas por autoridades policiais e órgãos de controle.

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O caso também se conectou às apurações sobre irregularidades envolvendo empréstimos consignados e descontos relacionados a beneficiários do INSS.

É justamente nesse ponto que a situação envolvendo André Mendonça se torna politicamente e institucionalmente mais delicada: o ministro passou a ter participação direta em processos relacionados ao caso enquanto seu antigo instituto havia recebido milhões de reais de uma empresa pertencente a um empresário que manteve negócios com Vorcaro.

A questão central passou a ser saber se todas essas relações foram devidamente consideradas antes de Mendonça assumir a condução dos processos.

As novas revelações aumentam a pressão por investigação

O conjunto de informações reveladas nas últimas semanas coloca sob questionamento as relações entre ministros do STF, empresários, instituições privadas, advogados e familiares de magistrados.

O caso não envolve apenas André Mendonça. As mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro também mencionam pessoas próximas a Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, além de outros integrantes da Corte.

O material apreendido pela Polícia Federal passou a ser tratado como uma das principais fontes para compreender a dimensão das relações mantidas pelo ex-banqueiro antes de sua prisão.

A grande pergunta que permanece é se essas relações representam apenas contatos institucionais e profissionais ou se, após o avanço das investigações, poderão surgir elementos capazes de demonstrar favorecimento, tráfico de influência, conflito de interesses, pagamento de vantagens indevidas ou interferência em investigações.

O que precisa ser esclarecido

As revelações colocam no centro da discussão a necessidade de esclarecer:

  • por que uma instituição ligada a um ministro do STF recebeu R$ 5,2 milhões de uma empresa ligada a um empresário que manteve negócios com Vorcaro;
  • quais foram exatamente as circunstâncias do encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro;
  • se houve outras reuniões ou contatos além dos já revelados;
  • se as relações financeiras e institucionais foram consideradas antes da escolha de Mendonça para a relatoria;
  • qual foi a natureza dos pagamentos mencionados nas mensagens envolvendo familiares de ministros;
  • quem são as pessoas identificadas nas conversas apreendidas;
  • e se houve qualquer tentativa de interferência nas investigações envolvendo o Banco Master e o INSS.

As respostas a essas perguntas serão fundamentais para determinar se os fatos revelados representam apenas relações empresariais e institucionais ou se existe algo mais grave por trás das conexões identificadas pela investigação.

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