ELEIÇÕES
prefeitos, governadores e empresários bolsonaristas são acusados de impedir eleitores de Lula de votar
Em Salvador, ônibus foram retidos nas garagens no dia da votação; no Rio de Janeiro, eleitores relatam ameaças; especialistas e aliados de Lula cobram posição da Polícia Federal e do TSE diante do que chamam de "tentativa de golpe" — enquanto o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cássio Nunes Marques, é acusado de omissão e de favorecer o campo bolsonarista
No dia da votação, o Brasil voltou a viver cenas que lembram as eleições de 2022. Relatos vindos de diferentes regiões do país apontam que prefeitos, governadores e empresários ligados ao campo bolsonarista estariam usando a máquina pública e mecanismos ilegais para dificultar o acesso de eleitores de Lula às urnas — especialmente no Nordeste, mas também em capitais e outras regiões.
Em Salvador, ônibus foram retidos nas garagens ao longo da manhã, impedindo que moradores de bairros periféricos chegassem aos locais de votação. Segundo relatos de passageiros e autoridades presentes, a retenção teria partido de decisão política do comando municipal, e não de problemas operacionais. A situação só começou a ser revertida após intervenção da Justiça Eleitoral, que determinou a liberação imediata dos veículos e a apuração de responsabilidades.
No Rio de Janeiro, eleitores relatam ameaças e tentativas de intimidação em áreas controladas por milícias e grupos políticos alinhados ao bolsonarismo. Moradores descrevem abordagens, pressão para não comparecer às urnas e até episódios de violência — situação que, segundo eles, se repete desde o primeiro turno e se intensificou neste domingo.
A denúncia central é a de que o transporte público, a estrutura administrativa das prefeituras e o poder econômico de empresários estariam sendo usados como ferramentas de obstrução eleitoral. Em 2022, a Polícia Federal realizou blitze que, segundo investigações posteriores, atrasaram a chegada de eleitores às seções — episódio que terminou com a prisão do então diretor da PRF, Silvinei Vasques. Agora, aliados de Lula cobram que a PF e o Supremo Tribunal Federal (STF) ajam com a mesma firmeza diante dos novos relatos.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Cássio Nunes Marques, é alvo de críticas por suposta inação diante das denúncias. Aliados do governo afirmam que o ministro tem sido leniente com o campo bolsonarista e que suas decisões recentes — incluindo a suspensão de julgamentos que já tinham maioria formada contra Flávio Bolsonaro — comprometem a isenção da Corte. “Até quando vamos viver essa ditadura disfarçada de democracia?”, questionou uma liderança política que acompanha o caso.
Para lideranças políticas e entidades civis, o cenário exige resposta imediata das instituições. “O Brasil precisa da democracia. Não podemos aceitar a ditadura novamente. Estão fazendo de tudo, utilizando mecanismos ilegais, para impedir que eleitores de Lula votem — no Nordeste e em outras capitais e regiões do Brasil”, afirmou uma das fontes ouvidas pela reportagem.
A reportagem procurou o TSE, a Polícia Federal e as prefeituras citadas. Até a publicação desta matéria, não havia retorno sobre as acusações específicas.

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