Polícia Federal

CLÁUDIO CASTRO É FLAGRADO PELA POLÍCIA FEDERAL COM MALOTE, MAS BLINDADO POR MENDONÇA: O NOVO MORO DO STF

Câmeras da PF mostram Castro carregando sacolas suspeitas, mas ministro bolsonarista nega busca; com Jaques Wagner (PT), o mesmo magistrado autorizou varredura e ainda vazou sigilo — a seletividade que envergonha a toga

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Ministro André Mendonça com bolsonaro

Cláudio Castro é flagrado com malotes suspeitos, mas ministro bolsonarista barra busca no escritório

Enquanto autorizou varredura em endereços de Jaques Wagner (PT), André Mendonça negou pedido da PF contra o ex-governador do PL, erguendo suspeitas de tratamento desigual


Às vésperas de mais um desdobramento da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes bilionárias do Banco Master, o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi flagrado por câmeras de segurança da Polícia Federal em uma situação no mínimo suspeita. As imagens mostram Castro saindo de seu escritório de advocacia, recém-inaugurado no Centro do Rio, carregando mochilas e sacolas, em um movimento que, para os investigadores, poderia indicar a tentativa de retirar documentos relevantes para as apurações.

A suspeita da PF era de que Castro, ciente da iminência de uma nova operação, estaria ocultando provas. Com base nesse flagrante, os agentes solicitaram ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a autorização para realizar uma busca e apreensão no escritório do ex-governador. No entanto, Mendonça, relator do caso, negou o pedido, alegando que a PF não conseguiu demonstrar de forma cabal a tentativa de obstrução à Justiça ou comprovar o conteúdo dos malotes transportados por Castro.

A defesa do ex-governador, por sua vez, justificou o episódio como parte da organização do novo espaço de trabalho, que ele montou após deixar o Palácio Guanabara. Castro afirmou que poderia, sim, estar carregando caixas e papéis, mas negou ter conhecimento da operação e disse que, se soubesse, não teria ido ao cinema com a família na noite anterior.

O tratamento desigual e a sombra de Sergio Moro

O que torna a decisão de André Mendonça ainda mais controversa é o contraste com a sua atuação em um caso análogo. Menos de um mês depois, o ministro autorizou a nona fase da mesma operação Compliance Zero, que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos principais nomes do governo Lula. No caso de Wagner, Mendonça não apenas autorizou a busca e apreensão em seus endereços, como também, posteriormente, retirou o sigilo da investigação, expondo detalhes sobre a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões e a apreensão de moeda estrangeira.

A diferença de critérios reacende o debate sobre o papel do ministro no STF, especialmente por sua trajetória de alinhamento com o bolsonarismo. André Mendonça foi indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro com a promessa de ser um ministro “terrivelmente evangélico” e, desde então, tem sido visto como um advogado do clã Bolsonaro. Sua atuação em outras ocasiões, como a defesa de pautas negacionistas na pandemia, a abertura de inquéritos contra críticos do ex-presidente e a tentativa de proteger aliados em julgamentos, escancara um padrão de comportamento que levanta a questão: o STF tem dois pesos e duas medidas?

O episódio reforça uma percepção que já circula nos corredores do poder: a de que Mendonça estaria atuando como uma nova versão do ex-juiz Sergio Moro, que, em sua atuação na Lava Jato, foi criticado por parcialidade. Seja na defesa de investigados de direita ou na aplicação rigorosa da lei contra opositores, a postura do ministro coloca em xeque a isenção necessária para um juiz da mais alta Corte do país e alimenta a narrativa de que a Justiça é, sim, seletiva quando o assunto envolve o entorno do ex-presidente e sua base aliada.

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