Rio de Janeiro

Lula promete resolver segurança sem pirotecnia e pede a Paes para continuar limpeza no RJ

Em comício neste sábado (22), presidente fala em devolver territórios ao povo. Em outro ato no Rio, Flávio Bolsonaro defende tirar bandido de circulação 'de pé ou deitado'

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POLÍTICA BASTIDORES

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (22), no Rio de Janeiro, que vai tirar bandidos da rua e devolver territórios ao povo do estado sem pirotecnia.

A declaração ocorreu em um comício no estádio Moça Bonita, em Bangu, na zona oeste, com a presença de aliados como o candidato a governador e ex-prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ).

A fala veio após Lula dizer que vai criar o Ministério da Segurança Pública -uma promessa de seu plano de governo para um eventual quarto mandato. Ele condicionou a nova pasta à aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública, parada no Senado.

Na eleição de 2022, Lula chegou a prometer a criação do ministério, embora não tenha registrado a medida em seu plano.

“Vamos tirar o bandido do território de vocês e devolver o território ao povo do Rio de Janeiro. Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar cem ou 200. Vamos prendê-los”, afirmou Lula. “Vamos dizer: a rua é do povo, a vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo, não é dos bandidos”, acrescentou.
A capital fluminense viveu um sábado de grande mobilização eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na corrida presidencial, participou de encontro com apoiadores no ginásio Maracanãzinho, na zona norte, a cerca de 40 km de Bangu.

No evento, Flávio afirmou que “o bandido vai ser tirado de circulação em pé ou deitado, porque quem tem que andar nas ruas é a população”.

Lula aproveitou a ida ao Rio para elogiar novamente o trabalho do governador interino, o desembargador Ricardo Couto.

O petista disse que Paes, caso eleito, terá de continuar a “limpeza” realizada por Couto. O desembargador assumiu o Executivo em março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL), e determinou revisão em contratos e exonerações.

“Queria dar os parabéns ao Ricardo Couto, porque ele está fazendo uma limpeza que você [Paes] vai ter que continuar quando ganhar as eleições. Isso é coisa sagrada.”

Paes defendeu a aliança com o petista como forma de tirar o Rio de Janeiro do “fundo do poço”.

O ex-prefeito afirmou que o crime organizado chegou ao Palácio Guanabara, sede do Executivo fluminense, e disse que, sem o trabalho da Polícia Federal, o seu adversário nas eleições estaduais seria o ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) Rodrigo Bacellar, que foi preso.

Paes declarou que Bacellar seria o candidato “deles”, citando o nome de Flávio Bolsonaro.

“Não estamos mais falando aqui de corrupção normal, de alguém tomando um dinheirinho de uma empreiteira. Não estou minimizando isso. Estamos falando que, com essa turma, o crime organizado sentou no Palácio Guanabara.”

O candidato ainda lembrou a sua derrota nas eleições estaduais de 2018, vencidas pela chapa do ex-juiz Wilson Witzel e Castro. Paes atacou Witzel, a quem chamou de “ex-juiz vagabundo” e “171”.

“Eles elegeram o Witzel e o Cláudio Castro, e têm a cara de pau de dizer que vão resolver o problema agora”, disse o ex-prefeito, que celebrou a dobradinha com Lula. “Arranco dinheiro desse homem como ninguém”, brincou.

No primeiro levantamento do Datafolha após o início oficial da campanha presidencial, divulgado nesta sexta-feira (21), Lula marcou 39% no primeiro turno, e Flávio, 33%. Numa segunda rodada, o petista também liderou (47% a 43%).

LULA DEFENDE ALIANÇA COM SENADOR PRÓXIMO A PAES
Os deputados federais Benedita da Silva (PT-RJ) e Pedro Paulo (PSD-RJ), que disputam as duas cadeiras do Rio ao Senado nestas eleições, também participaram do evento em Bangu.

Lula fez um aceno a Pedro Paulo, tentando derrubar a resistência de parte dos petistas em relação ao nome. O presidente afirmou que o deputado merece toda a sua confiança.

“O Eduardo Paes achava que eu não gostava do Pedro Paulo. O Pedro Paulo nunca me fez nada. Por que eu haveria de não gostar de quem nunca me fez nada?”, questionou Lula.

“O que está em jogo é a gente escolher o que será melhor para o Rio de Janeiro.”

Pedro Paulo é aliado de Paes de longa data. Chegou a ser cotado como vice do ex-prefeito nas eleições municipais de 2024 -o que não se confirmou.

O estádio Moça Bonita tem capacidade para receber 9.064 pessoas, conforme o site do Bangu, clube dono do local. O público do comício de Lula, contudo, ocupou trechos das arquibancadas e do gramado.

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), que era vice de Paes até março, disse que a escolha do estádio não foi coincidência e se deve às raízes do Bangu.

A equipe foi criada com a participação de operários -classe ligada à trajetória de Lula. Cavaliere foi o primeiro político a discursar no comício e aproveitou a ocasião para elogiar Paes e a parceria com o presidente.

JANJA FALA PARA MULHERES
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também se manifestou. Ela focou a defesa dos direitos das mulheres em diferentes áreas, como segurança e trabalho.

“Queremos mulheres vivas, mulheres saudáveis em toda a sua amplitude, mulheres livres, com tempo para trabalhar, estudar, descansar, viajar, namorar. E nós sabemos, meu amor, o quanto isso é importante”, afirmou Janja, em um trecho direcionado a Lula.

A primeira-dama disse que, em 2022, o eleitorado feminino teve força decisiva para eleger o presidente. “Seremos nós, mulheres, outra vez essa força fundamental para decidir o futuro do nosso Brasil.”

Ela abriu o discurso reclamando do microfone. “De novo, esse som está ruim. Acho que estão querendo me prejudicar”, disse Janja, em tom de brincadeira.

No palco, a primeira-dama cantou ao lado do pastor Kleber Lucas uma música em homenagem ao presidente. A canção tinha trechos como “tapete vermelho para o filho do Nordeste” e “Lula, o Brasil te ama de verdade”.

O petista ainda prometeu avanços em áreas como educação. Nesse sentido, falou em garantir escola em tempo integral em toda a rede pública do país. Ele não explicou como o governo federal poderia fazer isso.

“O tal do Fernandinho Beira-Mar custa o dobro do que formar uma menina médica ou um menino engenheiro”, afirmou o presidente, em referência ao traficante preso Luiz Fernando da Costa.

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